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Emprego / Desemprego

 

Tripulantes de cabina da Ryanair anunciam greve de seis dias

Os tripulantes de cabina da Ryanair marcaram seis dias de greve na altura da Páscoa. Os trabalhadores da companhia irlandesa convocaram uma greve de até três dias na última quinzena de março e mais três dias na primeira quinzena de abril. A decisão foi tomada numa assembleia-geral de emergência.

Os tripulantes da Ryanair decidiram mandatar a direção do Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil para fazer a convocatória da greve. Bruno Fialho deste sindicato explicou os motivos do protesto depois do impasse nas conversações com o Governo.  Até agora a Ryanair não aceitou falar com os sindicatos. A empresa diz que apenas aceita sentar-se à mesa com trabalhadores da própria empresa.

(RTP 16/02/18)

 

Trabalhadores de cerâmica Dominó no distrito de Coimbra em greve por aumento de salários

Os trabalhadores da cerâmica Dominó, em Condeixa-a-Nova, no distrito de Coimbra, iniciaram na madrugada de hoje uma greve por tempo indeterminado para reivindicar o aumento de salários e melhores condições de trabalho. "Apresentámos um caderno reivindicativo à empresa, que inclui aumento de salários para 2018, melhores condições de trabalho e a passagem de trabalhadores precários a efetivos, mas quando chegámos para negociar a administração comunicou que os aumentos estavam fora de questão", explicou António Grilo, representante dos trabalhadores.

Mais de 40 dos cerca de 170 trabalhadores da fábrica, que labora por turnos, concentraram-se hoje de manhã à porta das instalações, contando com a presença do secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, que se solidarizou com a reivindicação dos trabalhadores. O líder sindical salientou à agência Lusa que a Dominó é uma empresa exportadora que "ainda há pouco tempo fez publicidade do facto de ter recebido dinheiro da União Europeia e, neste momento, não dá resposta a um problema crucial, que é a necessidade de se melhorar os salários".

"Ao longo dos anos, quando teve problemas, foram os trabalhadores que se sacrificaram e os responsáveis por lhes dar dinâmica para que sobrevivesse e, agora, num quadro em que tem lucros, o que se justifica é que os distribua também por aqueles que produziram riqueza, que são os trabalhadores", disse Arménio Carlos.

O secretário-geral da CGTP considerou importante que a empresa rapidamente reúna com o Sindicato de Cerâmicos do Centro e encontre uma solução para o problema, "que passa inevitavelmente pelo aumento dos salários". Segundo o sindicalista, "hoje está mais do que provado que quanto mais as empresas apostarem nos baixos salários e trabalho precário mais depressa também serão prejudicadas por outras que seguem o mesmo caminho".

"O desenvolvimento do país e, particularmente, desta empresa que está situada num setor industrial importante do ponto de vista da exportação tem, acima de tudo, de valorizar os trabalhadores, melhorando os seus salários e tendo em consideração a valorização das suas profissões, porque estamos a falar de pessoas com vencimentos muito perto do salário mínimo", frisou.

A cerâmica Dominó, de capitais portugueses, exporta 60 a 65% da sua produção para os grandes países da Europa central, norte e sul, estando também presente nos Países de Língua Oficial Portuguesa (PALOP), Estados Unidos da América e em alguns mercados árabes e da Europa de leste. Com três naves fabris na zona industrial do município de Condeixa-a-Nova, muito próximo do acesso à Autoestrada do Norte (A1), principal via rodoviária nacional, a empresa de produção de pavimentos e revestimentos faturou 15 milhões de euros em 2016, ano em que regressou aos lucros, depois de vários anos em reestruturação. Contactada pela agência Lusa, a administração da Dominó não quis prestar declarações sobre a greve dos trabalhadores.

(Porto Canal 15/02/18)

 

Trabalhadores da mina de Neves-Corvo convocam nova greve

Trabalhadores da empresa concessionária da mina de Neves-Corvo, no concelho de Castro Verde (Beja), vão avançar para nova greve em março, a quarta desde outubro, revelou esta sexta-feira o Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Mineira (STIM). “Fomos mandatados pelos trabalhadores para entregar à administração um novo pré-aviso de greve, para os dias 5, 6 e 9 de março”, disse à agência Lusa Luís Cavaco, coordenador do STIM.

A decisão dos trabalhadores de convocar uma nova paralisação, indicou, foi tomada em plenários, na quarta e na quinta-feira, devido à “ausência de u,ma proposta palpável” da administração da Somincor, concessionária da mina de Neves-Corvo, para resolver o conflito laboral. “Até à data não temos nada de concreto da administração”, com exceção do “aumento de 35 euros que foi proposto e que os trabalhadores consideram que não resolve os problemas”, frisou Luís Cavaco.

Segundo o coordenador sindical, está marcada “uma reunião de conciliação” entre uma delegação do STIM e a administração da Somincor, detida pelo grupo Lundin Mining, para dia 16 deste mês, às 11:00, no Ministério do Trabalho, em Lisboa. “E a empresa tem ainda até 5 de março para tentar resolver isto, senão voltamos a fazer greve e em três dias intercalados”, avisou o sindicalista. A concretizar-se, esta vai ser a primeira greve deste ano dos trabalhadores da Somincor, mas a quarta desde outubro. Entre os meses de outubro e dezembro de 2017, os trabalhadores deste complexo mineiro fizeram três greves, as quais levaram a paragens na extração e na produção de minério em Neves-Corvo.

O fim do regime de laboração contínua no fundo da mina é uma das principais reivindicações. Outras das exigências passam pela “humanização” dos horários de trabalho, antecipação da idade da reforma para os funcionários das lavarias, progressão nas carreiras, revogação das alterações unilaterais na política de prémios e “fim da pressão e da repressão”. No final de janeiro, o STIM já tinha admitido a retoma da greve no complexo mineiro, por considerar insuficiente o “aumento de 35 euros” proposto pela administração da empresa para “o subsídio de horário de 4/4 (quatro dias de trabalho, quatro de descanso)”.

O grupo sueco-canadiano Lundin Mining, também em janeiro, anunciou o adiamento de obras do projeto de 260 milhões de euros para expandir a produção de zinco na mina de Neves-Corvo, devido às “perturbações laborais” e possíveis novas greves. A Somincor, disse também o grupo, “continua a investir em projetos de prospeção e de desenvolvimento com vista à descoberta de novos depósitos de minério que possam vir a representar uma extensão” da vida da mina de Neves-Corvo além de 2029.

(Observador, 09/02/18)