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Educação e Ensino

 

Reitor da Universidade de Lisboa recusa-se a falar sobre precariedade

O reitor da Universidade de Lisboa, António Cruz Serra, optou hoje por não dizer o que pensa sobre a "precariedade no ensino superior", desculpando-se com a presença do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.

"Não posso dizer o que penso sobre a precariedade no ensino superior", disse Cruz Serra, desculpando-se com o Presidente da República, que participava igualmente na sessão solene de enceramento do Dia da Universidade de Lisboa, que decorreu na reitoria.

A afirmação do reitor foi apupada por cerca de duas dezenas de bolseiros de investigação científica que, a um canto da sala e de pé, protestaram contra a sua precariedade laboral envergando t-shirts pretas. Cruz da Serra limitou-se numa curta intervenção a fazer agradecimentos.

(RTP 25/07/18)

 

Declarações de Centeno são "inaceitáveis" e desrespeitam "quem trabalha"

O secretário-geral da Fenprof considerou hoje inaceitável "e quase uma provocação" as declarações do ministro das Finanças que diz não ser possível pôr em causa a sustentabilidade do Orçamento do Estado por causa da contabilização do tempo dos professores. Numa entrevista hoje publicada no jornal Público, o ministro das Finanças, Mário Centeno, advertiu os partidos de que "não é possível pôr em causa a sustentabilidade de algo que afeta todos, só por causa" da contabilização do tempo de serviço dos professores, salientando que o Orçamento do Estado (OE) "é um exercício complexo e para todos os portugueses".

Em declarações hoje à agência Lusa, o secretário-geral da Fenprof, Mário Nogueira, sublinha que o "senhor ministro das Finanças tem de ter mais respeito por quem trabalha, neste caso pelos professores". "O OE serve para servir o Estado português e os portugueses e os professores são trabalhadores profissionais cuja vida é preparar o país, preparar os nossos jovens, as futuras gerações do nosso país", disse.

Na entrevista, Mário Centeno, sublinha que o Governo tem "em nome de todos os portugueses, de propor um orçamento que seja sustentável, que olhe para o futuro e mostre a continuação do caminho" seguido até aqui. "Achamos que é muito mau e do ponto de visto dos professores de facto não é aceitável e é quase uma provocação vir dizer que os professores são agora reféns de um OE onde o senhor ministro e o Governo não têm qualquer tipo de problema em usar milhares de euros do erário publico para tapar buracos causados na banca por corruptos, por má gestão, para pagar aos agiotas internacionais juros absolutamente obscenos. Para isso não há problema, mas para aquilo que é básico, elementar e justo, aí já é um problema de sustentabilidade de contas públicas", frisou.

Mário Nogueira destacou que os professores querem que as contas sejam sustentáveis e, por isso, entenderam que os nove anos, quatro meses e dois dias poderão ser recuperados ao longo de um período de tempo até 2023. "Se aquela é a posição do ministro das Finanças, é a sua posição, mas se aquela é a posição do Governo e precisamos de saber, é inaceitável e desrespeita o compromisso que o Governo tem com os professores", disse.

Para Mário Nogueira, o que "não é aceitável é que o Governo pretenda apagar parte de um período de tempo que foi cumprido nas escolas a trabalhar de uma forma que hoje é reconhecida como tendo sido importante para a remoção do insucesso escolar no país". Portanto, salienta Mário Nogueira, o que "os professores querem não é nada que seja ilegítimo, mas simplesmente que o tempo que cumpriram a trabalhar na escola com os seus alunos seja reconhecido.

"Queremos também que a lei do OE 2018 seja cumprida e a lei não põe em causa a contagem do tempo de serviço na íntegra. Apenas diz que por razões de sustentabilidade essa recuperação não se dê toda de uma só vez, mas que em 2019 se inicie o faseamento que leva à recuperação total do tempo de serviço", declarou. De acordo com o secretário-geral da Fenprof, o tempo de serviço não está em negociação porque é tempo cumprido e porque existe um compromisso do Governo em contá-lo integralmente e uma lei do OE que tem como resolução posterior da Assembleia da República o reconhecimento de que o que deve ser negociado é o prazo e o modo de recuperar.

(Noticias ao minuto 23/07/18)

 

Professores e Governo. "Há um desbloqueio negocial e já não é mau"

As negociações entre o Governo e os sindicatos sofreram um desbloqueio. É Mário Nogueira quem o diz, em declarações à TSF, após a reunião desta quarta-feira. "Há um desbloqueio negocial e já não é mau", enalteceu o sindicalista da Fenprof, recordando que a discussão foi bem diferente da que existiu na reunião em que "o Governo tinha posto as coisas num "ou querem isto ou não levam nada". Neste sentido, Mário Nogueira especificou que os membros do Executivo "não voltaram a repetir essa posição e aceitaram fazer as contas". "Pela primeira vez o Governo já deixou de dizer que a recuperação completa nem pensar", ressalvou.

O sindicalista afirmou que está previsto para o primeiro dia do ano letivo - 17 de setembro - que haja uma "distribuição de documentos pelos professores, às portas das escola, aos pais, explicando o ponto de situação da luta" e "na semana do dia mundial do professor", que se realiza a 5 de outubro, está prevista uma "grande manifestação nacional de professores e toda essa semana vai ser de greve". Porém, os professores podem recuar caso se chegue a um acordo. "Se no mês de setembro, pela negociação, a situação se resolver nós não fazemos greve por obrigação. Se não se resolver haverá isso e mais", frisou em declarações à TSF.

Para analisar e resolver o caso dos anos de carreiras congeladas dos professores, o Governo e os sindicatos concordaram em criar uma comissão técnica conjunta que tenha em conta o impacto financeiro da recuperação do tempo de serviço congelado.

(TSF 11/07/18)

 

Mais de 60% dos professores sofrem de exaustão emocional

Mais de 60% dos professores portugueses sofrem de exaustão emocional, provocada por causas como a excessiva burocracia e a indisciplina dos alunos, revela um estudo nacional com base em mais de 15 mil respostas de docentes. Este é um dos resultados do estudo levado a cabo por uma equipa liderada pela investigadora Raquel Varela, da Universidade Nova, a pedido da Federação Nacional de Professores (Fenprof), com o objetivo de ter dados nacionais sobre o desgaste da profissão docente. Através de um trabalho de parceria, as estruturas sindicais distribuíram pelas escolas milhares de inquéritos com mais de cem perguntas sobre 'burnout', desgaste e 'stress' sócio-ocupacional, cansaço e mal-estar, mas também sobre dados sociodemográficos, contou à Lusa a investigadora.

"Mais de 65 mil professores" revelaram "níveis preocupantes de exaustão emocional", uma das três características de 'burnout', revelou Raquel Varela. Para a investigadora, "a exaustão emocional apresenta valores elevadíssimos" entre a classe dos professores, atingindo mais de 60% dos inquiridos. O estudo mostra que os docentes mais velhos são os que mais sofrem de exaustão, com forte incidência nos profissionais com mais de 55 anos.

O 'burnout' é causado por uma exaustão ou 'stress' profissional, despersonalização e diminuição da realização pessoal e profissional. Os professores em 'burnout' têm a sensação de não conseguirem acompanhar os alunos individualmente nem as múltiplas tarefas burocráticas que lhes são exigidas na escola, contou. "Particularmente todos os professores estão cansados. Há mais professores cansados do que professores em 'burnout', devido à extensão do horário de trabalho e a intensificação das tarefas dentro do horário de trabalho", sublinhou. Os professores mais exaustos são os que mais defendem a reforma antecipada.

À Lusa Raquel Varela disse que o estudo ainda não está terminado, mas já é possível confirmar uma "correlação direta entre os índices de adoecimento no local de trabalho com a gestão no local do trabalho, a burocracia e a indisciplina dos alunos". Quase metade dos professores (42,5%) tem um baixo índice de realização, o que leva Raquel Varela a concluir que este "é um setor com níveis preocupantes de realização". O confronto entre as expectativas e a realidade profissional do dia-a-dia é um dos fatores para os baixos níveis de realização profissional dos professores que se veem confrontados com uma "intensa falta de autonomia, pouca influência nos currículos e na gestão da escola". Um trabalho "muito vigiado, muito repetitivo e onde os professores sentem que não conseguem dar resposta às necessidades dos alunos e da sociedade" são outros dos problemas identificados.

Já os índices de despersonalização são relativamente baixos, segundo Raquel Varela que explicou à Lusa que a despersonalização se verifica quando o professor deixa de ver os alunos como indivíduos, mas sim "como uma linha de montagem", passando a haver um afastamento emocional. No entanto, o inquérito mostra que, "para a maioria dos professores, os alunos continuam a ser importantes. Apesar do elevado grau de exaustão emocional, os professores gostam dos alunos", sublinhou.

O estudo, que será apresentado hoje no Encontro Internacional sobre o Desgaste dos Professores, promovido pela Fenprof em Lisboa, revelou ainda uma forte dependência entre o descontentamento face aos salários e a desmotivação no local trabalho. A investigadora alertou também para os "níveis preocupantes de falta de reconhecimento social e de cansaço" dos docentes.

(Noticias ao minuto 06/07/18)